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Danilo Gentili

Sempre alerta

Munido de sarcasmo e rápido no gatilho, Danilo Gentili prova que há vida inteligente na nova safra de humoristas brasileiros

Band / Divulgação

Band / Divulgação

Dono do microfone mais temido da TV brasileira e atual persona non grata no meio político, o CQC vem sendo assunto. Aos poucos, arrasta uma legião de fãs na internet, garante público no espetáculo Clube da Comédia Stand-Up, em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, e tornou-se uma espécie de curinga no IBOPE da TV Bandeirantes.

Como uma das principais atrações do programa “Custe o Que Custar”,  leva ao pé da letra sua missão como repórter “ex” inexperiente: sofre agressões, recebe respostas ríspidas  e tolera os mais fulminantes olhares. Mas, dedicado, garante suas matérias – sempre recheadas das tradicionais piadas ácidas, fórmula que tem lhe rendido fama na mesma proporção de desafetos.

Publicitário por formação e humorista por vocação, é também cartunista, aficionado pelos anos 80, webaholic  inveterado e quer mais é continuar “pousando na sopa” alheia.  Em entrevista exclusiva, abre o jogo sobre suas metas profissionais, faz uma reflexão sobre o brasileiro e quase leva a entrevista a sério.

BAND_CQCO formato de Stand-Up Comedy não era algo tão popular no Brasil. De onde veio a inspiração?

Tento não me inspirar em ninguém, assim consigo ser mais autêntico. Porém, admiro humoristas americanos q cresci assistindo, como Eddie Murphy, Bill Cosby, Seinfeld…

Você é publicitário por formação. Como surgiu a vontade de trabalhar com humor?

Eu sou publicitário por má-formação, pois me formei na UNIABC. A vontade de trabalhar com humor surgiu quando eu fiquei sabendo que, além de quatro anos pagando, ia precisar dar mais uma grana pra faculdade se quisesse ter meu diploma. Pensei: Eu sou um palhaço! É isso que farei daqui pra frente.
Em se tratando de Brasil, qual área que rende mais piadas?

A população é a grande matéria-prima do humor brasileiro. São eles que fazem a merda de eleger os idiotas que vemos por aí e dão audiência para programas péssimos, que afundam a cultura popular. Se não fossem os brasileiros, eu não teria tanta ideia pra piada.
Aliás, o CQC inovou ao fazer um programa pelo qual o brasileiro acabe se interessando, ou pelo menos, saiba por cima o que rola na política. Como você vê isso tudo? Está valendo a pena apanhar tanto?

Eu me divirto em cada entrevista, e só isso já faz valer a pena.

Qual seu momento mais engraçado ou constrangedor no programa?

São muitos. Não consigo dizer qual o mais engraçado, mas posso afirmar que tudo vai piorar.
Você tem milhares de seguidores no twitter, várias comunidades no Orkut… Costuma ver o que escrevem nas comunidades, se comunica com as pessoas, costuma ler as críticas e os elogios?

É impossível responder para tantas pessoas, mas eu acompanho o q eles escrevem e acredite: a opinião desse público é o que mais conta no meu trabalho.
Qual a entrevista que mais curtiu fazer?

Cada uma tem um momento especial. Mas posso dizer que o melhor é quando eu me divirto com o produtor do programa, bolando as ideias do que pretendemos fazer.
Seu contrato com a Band vence em 2009. Tem algum plano profissional, fora o CQC e a Clube da Comédia?

Meu plano é valorizar o meio que me der a chance de ser o mais autoral possível. É ali que focarei minhas energias.
O Brasil é considerado um país sem memória. Na comédia, tem algum humorista que, na sua opinião, tenha sido injustiçado ou não foi valorizado como deveria?

Sim… Mas eu não me lembro! (risos).

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RÁPIDAS

Nome completo: Danilo Gentili Junior, mas odeio Junior

Local de nascimento: maternidade

Signo: como eu sou de Libra, não acredito em astrologia

Prato e/ou restaurante:  prefiro restaurante do que prato. Cabe mais comida num restaurante do que num prato.

Não vivo sem: ar

Maior alegria: Carnaval! É legal ver um povo sem nada rindo não sei do que enquanto todos riem da cara deles por eles comemorarem algo sem motivo

Uma saudade: do Simca Chambord

Um lugar no mundo: Deserto do Saara

Uma música: Parabéns pra Você

Um filme: Alexandre Frota e o Pônei

Um defeito: não ter qualidades

Uma qualidade: ser idiota. Essa é a maior qualidade pras pessoas ao meu redor, assim elas se aproveitam fácil de mim

Objetivo realizado: Ter finalmente dado um lar pra minha mãe. E vou te dizer que o asilo é de primeira, hein!

Objetivo a realizar: Terminar Super Mario 3 sem perder nenhuma vida

Uma frase: “Aquele que tenta criar uma frase de efeito pode ter ela escrita numa revista um dia” Inventei agora! (risos)

*Matéria para ed. 119 Alpha Magazine – agosto 2009

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Mel Lisboa

Doce Mel

A atriz investe no teatro infantil e vive seu papel mais importante: o de mãe

Foto: Paulo Giandalia

Foto: Paulo Giandalia

Há quase uma década, o Brasil foi pego de assalto pelo sucesso Presença de Anita. A minissérie global contava a história de uma menina aparentemente inocente, que destruiria o casamento de um homem mais velho, e levou uma multidão de telespectadores à frente da TV não só para acompanhar a saga dos personagens, mas também para admirar a beleza estonteante de Mel Lisboa.

O boom do folhetim rendeu à atriz reconhecimento profissional e o título de símbolo sexual, que ela não faz muita questão de ostentar – um traço marcante de sua personalidade é a simplicidade. Mel Lisboa é tranquila e desencanada. Além disso, muitas novelas, filmes e peças viriam pela frente – isso sem contar a transformação na sua vida pessoal: o casamento com o músico Felipe Rosseno e o nascimento de Bernardo, primogênito do casal.

Para celebrar essa nova fase, a atriz se dedica à peça Cyrano, uma adaptação infantil do clássico Cyrano de Bergerac, do poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand. Com direção de Karen Acioly e consultoria artística de Bibi Ferreira, a montagem estará em cartaz até o dia 28 deste mês no TUCA, em Perdizes, todos os sábados e domingos, às 16h.

Como está sendo atuar na peça Cyrano? É a primeira vez que você faz uma montagem infantil?

Sim, é a primeira vez que atuo nesse segmento e está sendo maravilhoso. A peça é uma adaptação muito bacana e atual de um clássico escrito há mais de cem anos. Trazer essa cultura e ainda ensinar as crianças sobre sentimentos nobres é extremamente gratificante. E o mais legal de tudo isso é que a reação delas é espontânea, o feedback é instantâneo.

O fato de você ter sido mãe influenciou nesta empreitada?

Na verdade, acho que foi coincidência mesmo. Pintou o convite, achei o projeto ótimo e os horários não me atrapalhariam em relação a ficar com o Bernardo.

Por falar em Bernardo… E ser mãe de primeira viagem? O que mudou na sua vida de uma forma geral?

Ser mãe muda tudo, desde os sentimentos até a vida prática. Penso nele em primeiro lugar em qualquer situação e a minha vida passou a ser em função da vida dele. Como prefiro cuidar dele em vez de ter uma babá, tenho que adaptar tudo. O levo, na medida do possível, a todos os lugares. Não tenho tanta liberdade de sair como antes, mas de vez em quando, damos uma escapadinha (ela e o marido) e ele fica com a avó! (risos). E quanto a ser mãe de primeira viagem, está sendo muito mais fácil do que imaginei. É algo natural, meio instintivo. Sou tranquila e ele é um bebê muito calmo…

Você já ficou à frente de um programa de turismo. Inclusive, acabou escrevendo Mundo Afora – diário de bordo de Mel Lisboa. Gosta de viajar? Conheceu algum lugar especial nessa fase?

Amo viajar. Não vejo a hora do meu filho crescer um pouco para realizar um destino que venho sonhando há tempos: Jerusalém. Uma amiga de longa data irá filmar um documentário a respeito do local e quero muito estar ao lado dela nesse momento. Sobre um lugar especial, acho que o Deserto do Atacama, no Chile, foi o que mais me impressionou. Até então eu era muito urbana e as minhas viagens tinham mais esse perfil.

A minissérie Presença de Anita foi um boom na sua carreira. Até hoje existem diversos vídeos no Youtube, comunidades no Orkut, etc. As pessoas ainda te associam à personagem? Isso te irrita?

Isso já me causou uma série de sentimentos e, para ser honesta, cansou um pouco. Mas, por outro lado, valeu a pena. Fico feliz em saber que fez tanto sucesso e ainda receber elogios por algo que deu tão certo.

Aliás, ser considerada “símbolo sexual” te incomoda?

Já me incomodou mais, sobretudo, pelo fato de não ser tão bonita ou gostosa assim (risos). A questão é que acredito que associaram a minha imagem à Anita. Não que eu me ache feia ou não goste de me cuidar, mas não entendo isso muito bem.

Se arrependeu de posar para a Playboy?

Não me arrependi. Na ocasião foi uma oportunidade interessante na minha carreira e me trouxe diversos benefícios financeiros. Mas hoje não faria novamente.

Você cursou cinema e até ganhou um prêmio por sua atuação no longa Sonhos e Desejos. Como é a sua relação com o cinema?

Muito mais light do que na época que eu cursava faculdade nessa área! (risos). Estou menos rigorosa, assisto diversos filmes que assistiria com olhar crítico, etc. Fiquei muito feliz por ter ganho o Kikito, mas acho que tenho um longo caminho a trilhar ainda, pois tenho muito o que aprender.

E TV? Algum plano para 2009?

Gosto muito de fazer novela e pretendo voltar. Quem sabe no fim deste ano ou começo do ano que vem. Vai depender de uma questão de “compatibilidade de agendas” (diz sorrindo, referindo-se aos horários da emissora e do pequeno Bernardo).

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RÁPIDAS

NOME COMPLETO: Mel Lisboa Alves

LOCAL DE NASCIMENTO: Porto Alegre

SIGNO: capricórnio

PRATO: o trivial arroz, feijão, bife e salada

ITEM INDISPENSÁVEL NA NÈCESSAIRE: desodorante – e tem que ser como xampu, trocando para não “acostumar” (risos)

MAIOR ALEGRIA: minha família

UMA TRISTEZA: doença de um modo geral

UM LUGAR NO MUNDO: existem maravilhosos, mas nada se compara à minha casa

UMA MÚSICA: Coisa nº 2, do Moacir Santos

UM FILME: são muitos, mas no momento, Crepúsculo dos Deuses

UMA QUALIDADE: generosidade

UM DEFEITO: teimosia

SONHO REALIZADO: meu filho

SONHO A REALIZAR: dirigir uma peça, um filme…

ATOR: Gérard Depardieu

ATRIZ: Cate Blanchett

UM LIVRO: Os Miseráveis, de Victor Hugo

UM LUXO: justiça

UM LIXO: egoísmo

SUCESSO É: ser feliz com o que você tem, sem se acomodar

*Matéria publicada na revista Alpha Magazine Ed 117 – junho/2009

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Britto Jr.

O dono da fazenda

Britto Jr. fala sobre a experiência de comandar o reality show mais comentado da atualidade

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A paixão pelo futebol nunca o abandonou, mas também nunca o impediu de experimentar outras áreas no jornalismo e acabar se tornando um dos apresentadores de maior destaque na TV brasileira. Antônio Mendonça Britto Junior, ou em suma, Britto Jr., é receptivo às novidades, curte estar em movimento e tem “ambições profissionais saudáveis”, como gosta de dizer.

Seguindo o exemplo do pai, o respeitado comentarista Hilton Britto, ele começou como repórter esportivo. Depois, vieram as oportunidades de trabalhar no SBT, chegar à Globo e construir uma carreira sólida a ponto de ser alvo do crescimento da Record e ganhando espaço de estrela na casa.

Seja no “Hoje em Dia”, seja como apresentador em “A Fazenda”, a nova aposta da emissora, Britto tenta conduzir tudo com muito entusiasmo, Mas sabe que, como no futebol, é preciso suar a camisa pra chegar a um placar positivo. Então, há cerca de três décadas vem se esforçando para chegar ao seu principal objetivo desde o começo: ser um dos maiores comunicadores do Brasil.

Como está sendo a experiência de comandar A Fazenda?

Está sendo espetacular, como eu já previa. Isso vai indicar um passo importante para a minha carreira. É muito boa a sensação de começar algo do zero na televisão.

Você se mudou para Itu. Foi uma exigência da emissora?

O programa vai durar aproximadamente três meses e todos os dias há uma edição. Fora isso, temos várias entradas durante a programação. Todo mundo quer saber o que aconteceu com fulano, o que beltrano fez, o que ele disse, etc. Por esta logística, existem alguns dias em que não volto para São Paulo devido ao horário. Para isso, a Record montou um camarim com tudo o que preciso. Costumo dizer que é meu “semi-confinamento” (risos).

Algum palpite de quem será o ganhador?

Não poderia apontar um preferido por uma questão de ética. Eu torço para que todos que estão ali se saiam bem. A Babi (xavier), por exemplo, acha que foi muito bem, mas será que essa é a opinião do público? Não posso apontar, mas acho que algumas pessoas podem estar jogando mais que outras, podem estar construindo uma relação, uma imagem, que não necessariamente seja a sua imagem real. Quem é transparente? Só o tempo vai nos dizer.

Você fica incomodado quanto o comparam com o Pedro Bial?

A comparação é inevitável, pois a referência é o BBB. O Bial é um ídolo para mim. Era um dos cinco principais repórteres da Globo, no meu ponto de vista. Acho bacana a trajetória dele, que não se limitou a ser só um repórter e apresentador. E o fato de comandar um programa de entretenimento não anulou sua credibilidade. Se for cobrir uma eleição americana hoje, como fez recentemente, vou confiar nele da mesma forma. Em relação à comparação, vale dizer que ele está há nove anos fazendo isso e eu estou chegando agora. Assisti muito pouco ao BBB e não quero fazer uma imitação, é muito feio isso! É lógico que Bial servirá de referência, mas tenho um estilo diferente.

Você tem mais de 30 anos de carreira no jornalismo. Quais os momentos que mais te marcaram?

Difícil eleger uma única matéria ao longo de tantos anos…Posso me recordar de ter realizado cobertura das diretas já, a morte do Tancredo, o acidente fatal que nos assaltou um ídolo, Ayrton Sena. Também tive o privilégio de cobrir a Copa de 2002, a única copa que foi realizada em dois países simultaneamente, além de tudo, o Brasil ganhou!(risos).

Já que o assunto é futebol, você também atuou como comentarista esportivo. Qual seu time do coração? Bate uma bola também?

Sou Colorado! Meu time do coração é o Inter. Jogo futebol às quintas.  Quando tenho tempo, eu e o Edu Guedes nos reunimos com o pessoal da emissora e batemos um bolão! (risos). Na minha adolescência, sonhei em ser um jogador de futebol e por pouco não fui. Jogar futebol é meu hobby preferido. Eu comecei no rádio, lá por 78, 79, como repórter esportivo, seguindo os passos do meu pai, Hilton Britto, que foi repórter de campo, narrador e é comentarista dos bons lá no Sul. Sempre gostei de esporte, principalmente o futebol, porque vejo nele uma síntese da vida. Fiz duas copas – 2002 pela Globo e 2006 pela Record, na Alemanha, para o “Hoje em Dia”. No passado, cobrir uma copa do mundo era um privilégio só dos grandes nomes da imprensa. Hoje, o mundo ficou tão pequeno graças a tecnologia da comunicação que já não chega a ser um feito cobrir um evento esportivo. Mas eu espero poder ir à África não só pra fazer cobertura dos jogos, mas também conhecer um pouco mais do continente, que é o nosso “berço”.

E o “Hoje em Dia”? Pretende voltar ou tem outros planos?

O hoje em dia é como um filho para mim. Com o fim de “A Fazenda” volto. Temos que aumentar nossa prole e ter mais filhos, não é verdade? (risos)- e é assim que estou encarando este novo projeto. Tenho consciência plena de que outras coisas vão surgir. Neste momento, sim, me sinto realizado, mas sei que não para por aí, tenho muita lenha para queimar. Meu objetivo é sempre crescer, não escondo esta ambição, que é saudável. Quero escrever meu nome entre os grandes comunicadores do Brasil e, para chegar lá, tem que ralar muito.

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RÁPIDAS

Nome completo: Hilton Antônio Mendonça Britto Junior

Local de nascimento: Caxias do Sul

Signo: touro

Prato e/ou restaurante: A Figueira Rubayat

Não vivo sem: minha família

Maior alegria: nascimento do meu filho

Uma saudade: jogar bola com meu pai no corredor de casa

Um lugar no mundo: meu coração

Uma música: os clássicos da Bossa Nova

Um filme: os DVDs de desenhos animados que assisto repetidamente com meu filho!(risos)

Um defeito: sou perfeccionista demais

Uma qualidade: sinceridade

Sonho a realizar: me tornar um grande comunicador, entre os maiores do Brasil. Modestamente, estou no caminho.

Sonho realizado: posso dizer que tenho sonhos realizados profissionalmente e sou muito agradecido.

Uma frase: “Acredite nos seus sonhos, e acredite, eles podem se tornar realidade!”

*Matéria para revista Alpha Magazine Ed 118 – julho/2009

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